Equipe Coral: Como você conheceu e se apaixonou pelo grafite?

Nove: Cara, desde criança eu desenhei. Foi um lance empírico, nasceu e cresce comigo. Quando eu comecei a andar de skate em 1996, comecei a andar muito pelas ruas e ver grafite e pichação. Não tinha street art, muralismo, não tinha nada, era só grafite. Era letra, personagem old style, bomb... Era uma cultura mais underground ligada ao hip-hop. Não tão ligada ao mainstream das artes plásticas. Eu percebi que poderia ter aquilo como uma válvula de escape do que eu tava vivendo, as minhas dúvidas como adolescente, sobre carreira, o futuro... E decidi que aquilo poderia ser algo maior na minha vida, mais que um hobby. Então eu parei de andar de skate, pra não machucar a minha mão e poder pintar. Comecei a pintar e foi paixão à primeira vista. Muito sofrimento até conseguir fazer algo bacana, até trazer a minha identidade, o meu autoral... Mas é uma forma de evolução e de aprendizado.

É importante trazer para as crianças informação sobre o que elas estão vendo na rua. Elas estão vendo street art, o grafite e o muralismo. E para elas é um pouco confuso. Quando eu era criança não tinha isso.

Equipe Coral: Hoje você é muralista. Qual é a diferença entre grafite e muralismo?

Nove: Rapidamente? Grandes formatos, com autorização: muralismo. Obras de pequenos formatos e rápidas: grafite.

Equipe Coral: Você faz workshops com crianças. Qual você acha que pode ser a influência da arte na vida delas?

Nove: É importante trazer para as crianças informação sobre o que elas estão vendo na rua. Elas estão vendo street art, o grafite e o muralismo. E para elas é um pouco confuso. Quando eu era criança não tinha isso. Porque essa informação é recente. Trazer isso para um entendimento desde cedo, é criar um respeito por essa cultura desde cedo. Você vê a molecada na Europa desde pequenininha, visitando museu, instalações públicas... Tendo essa informação desde cedo. Acredito que é uma das ferramentas mais importantes: valorizar a cultura e a fruição do que a gente vê hoje como arte.

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Equipe Coral: Qual é a importância da cor na sua vida e no seu trabalho?

Nove: Quando a gente fala em cor, pensa em vida, energia, sinergia, harmonia, bem-estar... Trabalhar com cor é o blend de tudo isso: sentimento, informação e paz. Uma cidade sem cor é uma cidade triste, uma cidade cinza. Qualquer lugar com cor traz vida e sentimentos positivos.

Decidi que aquilo poderia ser algo maior na minha vida, mais que um hobby. Então eu parei de andar de skate, pra não machucar a minha mão e poder pintar.

Equipe Coral: Você já expôs o seu trabalho em vários países. Qual a maior diferença na recepção dele?

Nove: É a maneira com a qual eles te recebem lá fora: você é visto como um artista, um profissional. A principal diferença de países de 1º e 3º mundo em relação às artes plásticas, é a valorização e o respeito com a nossa classe a as nossas criações, no âmbito publico ou num espaço mais colecionável. Para o Brasil chegar nesse respeito, é preciso começar na formação educacional desde cedo. Tudo paira na educação.

Equipe Coral: Como você vê o futuro do grafite e do muralismo?

Nove: Vamos nos apoiar, vamos deixar essa cidade mais colorida. Com mais espaços públicos pras pessoas, espaços pra vivência, convivência. Não só lugar para carros ou empresas. A cidade está viva.

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