Dia da Mulher 2

Na adolescência, Luiza Ptolomeu saiu do interior de Minas Gerais rumo a São Paulo. De lá para cá, foram mais de 35 anos trabalhando como pintora de paredes. "Eu comecei lá em Minas, pintando a minha casa mesmo. Mas fui trabalhar pra valer com isso aqui em São Paulo", lembra.

Ao chegar na capital paulista, a entrada no mercado de trabalho não foi muito fácil. "Fui participar de um curso e na sala só tinha eu de mulher. Me olharam e falaram 'Dona Maria, a sala de decoração e de mulher é em outra sala'. Eu falei que não tinha errado não, que eu era pintora e que, para começar, meu nome era Luiza", conta.

A pintora acredita que há espaço para homens e mulheres no mercado de trabalho: "Tudo que eu tenho hoje na minha vida - minha casa, meu carro, o carro que dei de presente para o meu filho - veio do meu trabalho com a pintura".

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Os clientes também se surpreendem quando chamam um pintor e é Luiza quem aparece. "Esses tempos fui fazer um orçamento em um apartamento para uma moça, quando cheguei lá, ela achou que eu só faria o orçamento e mandaria uma equipe. Quando ela perguntou quando a minha equipe começaria, eu respondi: a minha equipe sou eu". Ela não acreditou", relembra Luiza.

Ela também perdeu as contas de quantas vezes foi questionada se daria conta do recado. Apesar disso, clientes não faltam: "Eu estou fazendo um serviço agora e com vários já na fila de espera. Agora mesmo, a proprietária desse apartamento que estou pintando mostrou ele para as vizinhas e já tenho quatro clientes esperando no mesmo prédio".

Separada, ela sustenta a família com o trabalho do qual tanto se orgulha. Isso sem abrir mão dos cuidados com a própria casa: "Moro com a minha mãe, com meu filho, a nora e a minha netinha. Eu acordo, deixo o almoço pronto para eles antes de sair para trabalhar. Também lavo, passo e faço faxina no fim de semana".

Luiza não deixou se abater com aqueles que duvidavam da sua capacidade. "Já me senti discriminada, porém eu fui em frente. Não aceito que me digam que ser pintora é serviço de homem. É serviço de mulher também. Desde que ela goste e se dedique. Você tem que amar a sua profissão. E eu amo e vou trabalhar nela até quando eu puder", se orgulha.