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Aos 41 anos, Eliane Camelo está dando as primeiras pinceladas em uma nova profissão. Casada com Denis, que trabalha como pintor há mais de 12 anos, ela conta que trabalhava como revendedora de lingeries e semijoias e começou na pintura meio que por acaso: "Um dia ele tava sem ajudante e me chamou para ir junto. Eu cheguei lá e me empolguei, acabei gostando muito e, desde então, tô trabalhando junto com ele".

Eliane conta, orgulhosa, dos elogios que já recebeu dos primeiros clientes. "Eu fiquei muito feliz ao ver o resultado. Por mim, por ter conseguido, e pelos clientes, que gostaram muito e elogiaram, disseram que mulher tem muito capricho nessa área. Ganhei até caixinha, imagina!", comemora.

Embora seja a mesma profissão do marido, ela ainda encontra surpresa na reação das pessoas quando conta com o que está trabalhando: "Esses tempos meu marido comentou com um taxista que eu era pintora e ele não levou muita fé. Quando cheguei para pintar o segundo sobrado também, o proprietário achou que eu só tinha ido acompanhar. Não imaginou que eu ia botar a mão na massa".

Em um mercado de trabalho historicamente dominado por homens - no Clube da Cor, da Coral, apenas 15% dos associados são mulheres - Eliane, que nunca imaginou trabalhar como pintora, conta que também recebe muitas palavras de apoio, de pessoas que a consideram uma guerreira e dá um recado para quem quer começar: "É difícil ver mulher na pintura, eu não conheço nenhuma. Mas se a pessoa gostar e tiver vontade, tem que insistir que vale a pena".